quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dia de Mercúrio

A quarta-feira é um dia indefinido... Você não sabe se já está cansado da semana ou se está contente por ela está acabando. Não sabe se vai ao cinema porque o ingresso é mais barato. Não sabe por que acordou às 5h30 da manhã tendo ido dormir às 4h. Enfim, não se sabe nada na quarta-feira. As fundações de ensino deviam, diante disso, abolir provas nas quartas-feiras.
A quarta-feira para mim é o marco zero. Sabe, se a semana fosse medida nas escalas Kelvin, Celsius e Fahrenheit, Kelvin seria de domingo a sabado; Celsius, de quarta a sabado. Fahrenheit é toda errada, ninguém precisa saber... Pois bem, quarta-feira é a coordenada (0,-) onde ípslon não existe e xis são os dias da semana. Metalinguística (me adequando às novas regras ortográficas, aboli o trema) à parte, voltemos ao assunto.
O negócio é que não tem assunto. Esse post é simplesmente aleatório. Ontem fui dormir sem saber que dia da semana era e hoje acordei com um sentimento de quarta-feira, um sentimento de não saber nada, e por isso, resolvi escrever (?).
Hoje foi o dia que resolvi que iria mudar minha rotina, logo, minha vida. Não hoje quarta-feira, hoje primeiro de outubro, não primeeeeeiro de outubro, primeiro dia do mês de outubro. Coloquei o despertador para às 9h, já tinha toda a manhã feita na cabeça: acordar, comer, tomar comprimido de guaraná, tomar banho e ir ao banco; isso, pensei eu, ocuparia toda a minha manhã se eu acordasse às 9h. Mas por uma ironia do destino (sim. Ironia), acordei às 5h30. Uma hora de inutlidade na cama, banheiro, água, cachorros e venho pra cá, de onde vos falo (ou melhor, escrevo).
Um momento perdido no MSN; suficiente para eu perder a linha de raciocínio. Oh, céus...
Voltando... o dia que resolvi mudar minha vida, certo? Então, mudar como? Confesso que eu estava um vagabundo-preguiçoso-insensível-senil. A mudança estava nesses vagabundo, preguiçoso e senil (insensibilidade não é uma coisa que se muda de uma terça para quarta, até porque, quarta não se sabe o que quer). Se eu conseguisse querer fazer algo, conseguir fazer algo e "ficar mais jovem", eu conseguiria o que mais tenho tentado recuperar em mim: a espontaneidade. O querer estava fácil de conseguir, acho até que já tinha conseguido, mas o fazer... nossa, que difícil! Mas tomei vergonha na cara e pá! Cá estou eu, acordado de "madrugada" e com a força de Mercúrio, só voltarei a dormir à noite (o sono é meu pior inimigo! - minha mãe que o diga, coitada... acho até que ela pensa, às vezes, que estou em depressão. haha)
Marquei em minha agenda hoje, cinema às 16h. Sim, porque é mais barato e o principal, as salas ficam praticamente vazias! O filme não importa. O que importa é a companhia que terei: eu! (Não fique chateada por eu não ter te chamado, é que eu preciso de um momento comigo para me pôr nos eixos.)
Um momento comigo. No cinema? Sim. Pessoas que me conhecem bem (ninguém), sabem que eu "viajo", e muito. Por esse motivo que é difícil d'eu me concentrar em salas de aula (acho que é daí que vem o autodidatismo). Uma coisa que eu, em uma dessas viagens, percebi é que o cinema é um ótimo local de conhecimento.
Veja um exemplo, partindo da ideia (mais uma adequação às novas normas ortográficas) de que Chuchuzinho(a) e Chuchuzinha(o) são inocentes e não pensam em sexo: Chuchuzinho(a) conhece Chuchuzinha(o) na internet. O que fazer? Chuchuzinho(a) sugere um cineminha, Chuchuzinha(o) aceita. Quando Chuchuzinhos(as) se encontram, é aquela vergonha, aquela voz baixa, aquela estrutura frágil pronta a desabar. Entram no cinema. Agora eles têm duas horas e meia pela frente se conhecendo sem dizer ao menos uma palavra sequer! Aposto que a física quântica explica isso! Quando Chuchuzinhos(as) saem do cinema, a cara vermelha mostra sua verdadeira cor; a voz, mostra seu verdadeiro tom; a estrutura frágil, ganha reforma. E Chuchuzinhos(as) vivem felizes para sempre (aos realistas/pessimistas de plantão, poupem-me). É a minha intimidade comigo mesmo que quero aumentar. Quero que ela chegue ao ponto d'eu dar na minha cara, se for necessário!
Agora são 7h40. Ainda falta uma hora e vinte minutos para eu acordar. O que fazer nessa uma hora e vinte minutos? Bem, o eu pré-quarta-feira voltaria a dormir, ouviria o despertador às 9h, o desligaria e também, viveria feliz para sempre. Mas é isso que o eu pós-quarta-feira quer, e vai mudar.
Um longo dia de Mercúrio me espera. E todos os meus eus esperam que ele seja como o meu eu pós-quarta-feira quer que ele seja.

Send me good vibes!

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